40 anos de evolução no retalho  

Os consumidores actualmente têm um nível de exigência muito elevado, demonstrando a necessidade de produtos que satisfaçam gostos individuais, disponibilidade imediata e preços competitivos, dentro de um sortido o mais variado possível.

Naturalmente que os retalhistas, visando uma maior aproximação aos clientes, simultaneamente pelo aumento do sortido, com adição de gamas não alimentares e disponibilidade nos pontos de venda, acabaram por gerar colateralmente desafios no que concerne à protecção da mercadoria para minimizar impacto nas suas contas de exploração.

Se há um aspecto que terá sofrido poucas alterações, é a necessidade de prevenir diferenças de inventário por via da perda desconhecida. Nos últimos quarenta anos, a perda desconhecida tem evoluído e criado novos desafios aos retalhistas, nomeadamente pelo aparecimento de fenómenos mais organizados, tanto ao nível externo como interno, e pela necessidade de encontrar fórmulas de controlo e redução destas incidências.

As perdas nem sempre foram consideradas como um problema prioritário para os retalhistas. Actualmente, as evidências estatísticas sugerem que, no contexto económico actual, as perdas são um problema relevante pois dificultam a prossecução dos objectivos de rentabilidade definidos por cada organização.

Mas, qual é a real dimensão do problema hoje?

O estudo “Global Retail Theft Barometer (GRTB)”, que mede as diferenças de inventário no retalho, em mais de 30 economias à escala global, reporta esta cifra; representa 1,28% das vendas. Este valor refere apenas dados referentes a incidências que podem medir-se e portanto registar-se contabilisticamente, porém, não mede as oportunidades de venda perdidas pelo impacto indirecto que resulta em ineficiências e consequentemente em maiores rupturas de stock: o custo económico das perdas pode ser bastante superior.

Perante este facto, que estratégias foram desenvolvidas nos últimos 40 anos para assegurar a satisfação dos consumidores e ao mesmo tempo controlar a perda desconhecida?

As opções “tradicionais” como fechar artigos em vitrinas, são medidas eficazes para reduzir perdas mas são também medidas que impactam negativamente as vendas. Actualmente o comportamento dos consumidores não se compadece com o acesso limitado aos produtos o que invariavelmente acaba sempre por afectar o volume de negócios daquelas categorias que adoptam este tipo de medidas de merchandising defensivo.

A prevenção de perdas é actualmente um problema com múltiplas formas pelo que requer uma conjugação de acções concertadas na cadeia de abastecimento. Os retalhistas que operam com sortidos muito variados (supermercados, hipermercados, etc) beneficiam de uma análise transversal e integrada que permita a detecção precoce e redução efectiva das perdas.

Há muitos anos a ideia de aplicar etiquetas de segurança nos produtos era impensável. Muitos dos directores de loja e gestores de categoria, não dispunham de informação fidedigna sobre as origens das perdas o que levava a acções mais baseadas em validação local ou, em alguns casos, decisões intuitivas. Actualmente, é raro ver uma loja da distribuição moderna sem um sistema de antenas EAS (Electronic Article Surveillance), a vasta maioria dos produtos estão em auto-serviço e existe informação disponível sobre as perdas ao nível de cada artigo.

Esta foi a base que permitiu ao retalho evoluir no sentido da protecção dos artigos de maior risco a montante da loja, envolvendo assim os fabricantes. É por essa razão que cada vez mais fabricantes estão a adoptar medidas de adequação do seu merchandising para poder garantir a máxima disponibilidade de artigo no linear. A protecção de artigos na origem é sem dúvida o passo mais significativo, dado nos últimos anos, no sentido de conciliar a satisfação dos consumidores, melhorando a experiência de compra e contribuindo activamente para a redução das quebras, rupturas e obviamente reflectindo-se na melhoria de resultados para todos os intervenientes na cadeia de abastecimento.

Hoje em dia é muito fácil encontrar numa loja produtos protegidos na origem dos mais variados segmentos de artigos como: cosmética, têxtil, bebidas, electrónica, multimédia assim como já se começa a verificar a protecção na origem de artigos alimentares de maior risco.

A nova geração de antenas EAS, como a tecnologia 360 RF, tem contribuído para melhorar o desempenho geral na área de protecção de artigos pelas evoluções tecnológicas que permitem a maior e melhor detecção e a geração de informação de suporte à maior eficiência da sua utilização. Actualmente os retalhistas já podem proteger as suas lojas com menos antenas, resultando este facto num layout mais conveniente para o consumidor.

Actualmente talvez a “arma” mais eficiente para reduzir perdas no retalho é a velocidade de acesso à informação. O acesso rápido a um sistema de informação que permita retirar dados fiáveis, permite a identificação célere de problemas e a rápida intervenção permitindo acelerar a capacidade de resposta e assim melhorar o desempenho geral das perdas.

Estes são alguns dos desafios para os prestadores de serviços, que operam na área da prevenção de perdas. Actualmente exige-se às empresas que operam nesta área que sejam capazes de entender a dinâmica do mercado, respondendo rapidamente às suas mutações e trabalhando perto dos retalhistas e fabricantes no sentido de proporcionar soluções que se adeqúem aos diversos contextos de mercado.

E como serão os próximos 40 anos? Novas tecnologias como a RFID vão vulgarizar-se no retalho dando assim a oportunidade para uma nova fase: o retalho digital, em que os produtos poderão ser identificados em qualquer ponto da cadeia de abastecimento com uma velocidade até hoje impensável, revolucionando e melhorando processos e adaptando-se rapidamente às necessidades de consumo.

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