Quebras: Portugal sai ileso apesar da crise económica  

Economicamente foi, a nível mundial, um momento difícil para os retalhistas e o impulso para reduzir custos é notório, sendo que em todos os países, nomeadamente Portugal, verificou-se um decréscimo dos investimentos aplicados em soluções de gestão da perda. Contudo, os ganhos gerados por estes cortes podem ser facilmente ultrapassados pelos custos provocados pelo crescimento dos furtos. O aumento dos valores da perda desconhecida em 38 dos 41 países analisados no III Barómetro Global do Furto no Retalho (GRTB) comprova que existe uma grande correlação entre a redução dos investimentos em soluções de prevenção da perda e o aumento efectivo da quebra no retalho.

A crise económica e as consequências sociais inerentes à mesma e a redução dos gastos com a prevenção da perda e a segurança em cerca de 681,7 milhões de euros, por parte dos retalhistas a nível global, geraram o aumento de 7.330 milhões de euros nas perdas por furtos, valor este bastante significativo. Isto evidencia a importância da melhoria e avanço continuado dos programas de prevenção da perda, na redução do furto e o seu reflexo no sucesso e crescimento dos negócios dos retalhistas.

O GRTB III mostra que a perda desconhecida aumentou ao longo do último ano e que os retalhistas atribuem à recessão a um terço do crescimento dos furtos em lojas e um pouco mais de um quinto do aumento nos furtos praticados por empregados.

Portugal conseguiu superar as expectativas e sair ileso das consequências da crise económica que afectaram negativamente diversas áreas, ao manter a sua taxa de perda desconhecida igual ao do ano passado. Esta estagnação deve-se a uma clara aposta na definição de um processo eficaz e incisivo na gestão da perda desconhecida por parte dos retalhistas, assente na profissionalização dos responsáveis da quebra e a uma maior consciência dos gestores. Em Portugal, as empresas retalhistas apostaram na formação dos colaboradores e da elaboração de melhores protocolos de trabalho, para além de se verificar investimentos incisivos em ferramentas adequadas, nomeadamente em sistemas anti-furto que primam pela eficiência e por um design mais arrojado e discreto, tornando mais positiva a experiência de compra por parte dos clientes. Podemos concluir que em Portugal as empresas retalhistas têm implementado o que de melhor se tem feito na área da prevenção da perda desconhecida, sendo mesmo pioneiras em muitas das soluções desenvolvidas.

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